Guarulhos terá o primeiro sistema antidrone do Brasil: o que isso revela sobre o setor

O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, será o primeiro do Brasil a receber um sistema antidrone dedicado a detectar, monitorar e neutralizar drones nas proximidades do terminal. A medida foi encaminhada pelo Ministério de Portos e Aeroportos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), segundo reportagem da Rádio Itatiaia.
A iniciativa busca reforçar a segurança das operações aeroportuárias, já que a presença de drones perto de aeroportos pode representar risco durante pousos e decolagens, além de interferir no funcionamento dos voos.
Como vai funcionar o sistema antidrone de Guarulhos
A aquisição, a implantação e a operação do sistema antidrone ficarão sob responsabilidade da concessionária do aeroporto. O funcionamento deverá seguir requisitos técnicos e de segurança definidos pelos órgãos competentes, e a Anac fará uma avaliação de risco e de custo-benefício para a instalação, com participação da Polícia Federal e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Por que Guarulhos foi o escolhido
A escolha do aeroporto para iniciar essa implantação está ligada à importância dele para a malha aérea nacional e ao histórico de ocorrências envolvendo drones nas proximidades. A experiência em Guarulhos deve servir de referência para avaliar a adoção de sistemas semelhantes em outros aeroportos do país.
O que esse movimento revela
Esse anúncio se soma a outros sinais recentes de que a regulação brasileira está caminhando para dar mais atenção ao espaço aéreo próximo a áreas sensíveis. Desde 1º de julho de 2026, por exemplo, todo drone precisa de registro no SISANT (ANAC) e autorização via SARPAS para determinadas operações, sem exceção para modelos leves.
Ou seja, o caso de Guarulhos não é um evento isolado. É parte de um movimento mais amplo de reconhecimento de que o espaço aéreo próximo a operações críticas precisa de monitoramento ativo, não apenas de regras no papel.
A vantagem de um sistema de detecção contínua

O caso de Guarulhos mostra como esse tipo de solução ainda está no início no Brasil: a implantação depende de avaliação de risco, de custo-benefício e da articulação entre concessionária, Anac, Polícia Federal e Decea, um processo naturalmente longo, proporcional à complexidade de um aeroporto internacional.
É exatamente nesse contexto que a detecção por assinatura se torna relevante. O ADaaS monitora de forma contínua o espaço aéreo de um local, gerando um mapa de calor da incidência de sinal de radiofrequência na área monitorada, e emite um alerta em tempo real assim que um drone é identificado, incluindo o tipo de equipamento detectado. Por ser um serviço por assinatura, sem equipamento para comprar e sem obra, a implantação é muito mais rápida do que a de um sistema de grande porte, o que o torna especialmente útil para empresas, hangares privados, terminais de carga, aviação executiva, helipontos e outras instalações situadas nas proximidades de aeroportos, que também estão expostas ao mesmo tipo de risco, mas não contam com um sistema federal dedicado.
Enquanto iniciativas como a de Guarulhos avançam nas etapas regulatórias necessárias para um sistema de porte aeroportuário, o ADaaS oferece uma camada de visibilidade que pode ser implementada agora, complementando o cenário de segurança ao redor dessas áreas.
Perguntas frequentes
Como o sistema de Guarulhos se compara ao ADaaS?
O sistema de Guarulhos é um sistema de porte aeroportuário, com capacidade de neutralização e operação conjunta com a Polícia Federal e o Decea. O ADaaS atua na camada de detecção e alerta em tempo real, por assinatura, o que permite uma implantação muito mais rápida em empresas, hangares, terminais de carga e outras instalações ao redor de aeroportos.
Outros aeroportos brasileiros vão receber sistemas antidrone?
Segundo a reportagem, a experiência em Guarulhos deve servir de referência para avaliar a adoção de sistemas semelhantes em outros aeroportos do país, mas ainda não há uma decisão definida sobre isso.
Uma empresa perto de um aeroporto pode contratar um sistema antidrone próprio?
Sim. Empresas, hangares privados, terminais de carga e instalações de aviação executiva podem monitorar o próprio espaço aéreo com o ADaaS, complementando a segurança da região.
O ADaaS neutraliza drones detectados?
O ADaaS detecta e alerta em tempo real. A neutralização de uma ameaça, quando necessária, é conduzida pelas autoridades competentes, como ocorre no próprio caso de Guarulhos.
Fonte: Rádio Itatiaia, reportagem de Rúbia Layane, publicada em 15 de setembro de 2026.
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